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Defesa pede arquivamento, mas comissão mantém processo contra prefeito de Valadares

Defesa pede arquivamento, mas comissão mantém processo contra prefeito de Valadares
Vereadores acompanham reunião da comissão processante da Câmara, que analisou a defesa prévia do prefeito e decidiu pelo prosseguimento do processo. Imagem: Facebook/CMGV

A defesa prévia do prefeito Coronel Sandro Lúcio (PL), no processo que apura supostas irregularidades na contratação do transporte escolar em Governador Valadares, tentou barrar o andamento da representação por infração político-administrativa na Câmara, mas não convenceu a comissão processante, que decidiu pelo prosseguimento do caso.

No documento, apresentado dentro do prazo legal, a defesa sustenta, em linhas gerais, a ausência de irregularidades na contratação do transporte escolar e questiona a própria admissibilidade da denúncia. Entre os argumentos, aponta supostas falhas formais na representação, ausência de provas robustas e defende a legalidade dos atos administrativos adotados pela gestão, incluindo o modelo de contratação utilizado. Também argumenta que não haveria dolo ou conduta que configure infração político-administrativa passível de cassação.

A estratégia foi clara: tentar encerrar o processo já na fase inicial, antes da abertura da instrução.

O parecer prévio da comissão processante, no entanto, seguiu caminho oposto.

Assinado pelo relator, vereador Lei do Mãe de Deus (PMB), e aprovado pelos demais integrantes – Amaral do Povo (Avante), presidente, e Jamir Calili (PP), membro -, o documento conclui que a denúncia atende aos requisitos legais exigidos e apresenta elementos mínimos para investigação.

Na prática, a comissão entendeu que a defesa prévia não trouxe argumentos suficientes para invalidar o procedimento.

O parecer é direto: há base jurídica para que os fatos sejam apurados com profundidade. Por isso, a recomendação foi pelo prosseguimento do processo.

Irregularidades

A denúncia tem como foco a contratação do transporte escolar no município e levanta suspeitas sobre o modelo adotado pela Prefeitura, incluindo a utilização de credenciamento em vez de licitação, além de possíveis falhas no planejamento e na formação de preços. Também são citados pagamentos realizados antes da formalização contratual e indícios de impacto financeiro aos cofres públicos.

O documento que embasou a representação reúne apontamentos técnicos, inclusive de órgãos de controle, indicando possíveis irregularidades administrativas que, em tese, poderiam configurar infração político-administrativa por parte do chefe do Executivo.

A denúncia foi recebida pela Câmara Municipal no dia 2 de março, após ser aprovada em plenário por 19 parlamentares.

Oitivas

Com a aprovação do parecer prévio da comissão processante, a comissão dá início à fase de instrução, que inclui oitivas e coleta de provas. Já está definida a agenda:

  • 30 de março, às 14h: oitiva do denunciado
  • 30 de março, a partir das 14h30: depoimento das testemunhas André de Deus Barcelos, Neusa da Silva Rocha Guimarães, Ariane Regina de Souza Gomes, Nayara Pereira e Leonardo Quintino
  • 31 de março, às 14h: oitiva das testemunhas Vanessa Pereira Alves, Alberto Andrade e Sílvia Araújo

Ao final dessa etapa, a comissão elabora um relatório final que pode recomendar o arquivamento ou a cassação do mandato, decisão que cabe ao plenário da Câmara.

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