O vereador Jamir Calili (PP) fez uma das falas mais contundentes durante a audiência de prestação de contas do município, realizada na tarde desta terça-feira (29), na Câmara Municipal de Governador Valadares. Ex-secretário Municipal da Fazenda, o parlamentar fez uma análise dos números apresentados e questionou quais medidas o governo pretende adotar para enfrentar a atual situação financeira da Prefeitura.
Logo no início, Jamir afirmou não enxergar um cenário positivo sem uma ação do Executivo. O vereador lembrou que, em fevereiro deste ano, já havia alertado na Câmara que a situação fiscal do município não estava bem.
Segundo ele, na época, o prefeito Coronel Sandro (PL) foi às redes sociais dizer que o parlamentar estava mentindo. “Aí chega setembro, faz um decreto de calamidade financeira”, constatou. Para o parlamentar, os números atuais precisam ser comparados com os resultados registrados pelo município no ano passado.
Receita cresce menos que as despesas
Um dos principais pontos levantados pelo vereador foi a diferença entre o crescimento da receita e das despesas. Os dados apresentados pela Secretaria Municipal da Fazenda (SMF) mostram que, entre janeiro e agosto, a receita cresceu 2,81% em relação ao mesmo período de 2025. Já as despesas liquidadas tiveram aumento de 12,21%.
Jamir questionou como a Prefeitura pretende equilibrar as contas diante dessa diferença e afirmou que não vê, até o momento, medidas capazes de produzir o aumento de arrecadação necessário.
Foi nesse ponto que o vereador citou decisões do prefeito que, na avaliação dele, entram em conflito com o discurso de que o município precisa arrecadar mais.
Segundo Jamir, enquanto a Secretaria da Fazenda aponta a necessidade de aumentar receitas, Coronel Sandro tem divulgado nas redes sociais decisões como a não implantação da Zona Azul e a suspensão de medidas relacionadas às multas de trânsito. “Eu fico imaginando, então, uma dor tremenda da Secretaria da Fazenda, porque não há aumento de receita”, comentou.
Ele também ponderou que algumas das alternativas mencionadas pelo governo para aumentar a arrecadação não produziriam resultados imediatos. Entre elas, citou a venda de imóveis municipais. Para o vereador, mesmo que medidas desse tipo sejam aprovadas, o dinheiro não entraria nos cofres públicos a tempo de resolver as dificuldades atuais.
“Não tem mágica”
Outro ponto abordado foi a despesa com pessoal. Na prestação de contas o secretário da Fazenda, Thiago Henrique Ferreira, informou que os gastos do Executivo com servidores chegaram a 58,85% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite máximo de 54% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Jamir Calili questionou de onde virá o dinheiro necessário para reduzir esse percentual e, ao mesmo tempo, manter os serviços públicos. O vereador disse ainda não enxergar grande espaço para cortes de pessoal em setores que, segundo ele, já trabalham com número insuficiente de servidores, citando postos de saúde e o Hospital Municipal.
O parlamentar também chamou atenção para progressões de servidores ainda não pagas e para as incertezas apresentadas durante a própria audiência.
Ele reforçou que o secretário da Fazenda não garantiu à vereadora Sandra Perpétuo, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinsem-GV), que os recursos para o pagamento do 13º salário estejam atualmente assegurados. Citou, ainda, a falta de uma confirmação de que o calendário escolar seguirá normalmente até dezembro.
Críticas aos anúncios do governo
O vereador Jamir Calili também fez críticas ao que considera uma diferença entre os anúncios feitos pelo Executivo e aquilo que efetivamente chega à Câmara ou é colocado em prática. “O que o governo tem anunciado aqui na Câmara, ele não tem cumprido”, frisou.
Em um dos momentos mais duros da fala, o vereador usou ironia para questionar a quantidade de anúncios feitos pela administração e citou como exemplo a divulgação da proposta de um novo hospital. Para ele, a criação de um novo serviço também representa aumento de despesas e, por isso, precisa ser analisada dentro da atual situação financeira do município.
Cobrança por medidas concretas
No encerramento de sua fala, Jamir voltou a cobrar quais medidas efetivas estão sendo tomadas para reduzir despesas e aumentar a arrecadação. Também questionou quais cortes foram definidos pelo comitê de austeridade criado pelo município, uma vez que, até aquele momento, não havia chegado à Comissão de Constituição e Justiça, da qual faz parte, projeto destinado a aumentar a receita da Prefeitura.
Para o vereador, sem uma definição clara sobre corte de gastos ou novas fontes de receita, a situação tende a se agravar. “Da forma como a Prefeitura está caminhando, não vai dar conta”, garantiu.
xxx Em audiênca de prestação de contas, na Câmara de Valadares, vereador Jamir questiona como o governo irá equilibrar receitas e despesas.
