
A possível substituição de monitores da rede municipal de ensino foi um dos principais pontos de preocupação levantados durante a audiência pública “Valorização dos Monitores da Educação Infantil e da Educação Inclusiva”, realizada na tarde desta quarta-feira (15), na Câmara Municipal de Governador Valadares, por iniciativa da vereadora Sandra Perpétuo (PT).
Entre os depoimentos, chamou atenção a manifestação de Vivian, mãe do estudante Davi, que participou da audiência representando famílias de crianças atípicas. Ela relatou a preocupação dos pais com a possibilidade de mudanças frequentes de monitores caso as atividades atualmente desempenhadas por esses profissionais venham a ser terceirizadas.
Segundo ela, crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições que demandam acompanhamento especializado estabelecem vínculos de confiança com os profissionais que as acompanham diariamente na escola. Para Vivian, uma eventual substituição desses monitores pode comprometer a adaptação, a segurança emocional e até o desenvolvimento pedagógico dos estudantes.
Ao relatar a história do filho, Davi, diagnosticado com TEA nível 3 de suporte e não verbal, Vivian emocionou os presentes ao afirmar que a única palavra que a criança consegue pronunciar é “Quis”, forma carinhosa como chama a monitora Maria Cristina.
“Meu filho não fala ‘mamãe’, não fala ‘papai’, mas fala ‘Quis’. É a única coisa que ele sabe falar”, disse.
Ela contou que Davi levou cerca de dois anos para conseguir entrar na escola sem crises e atribuiu essa evolução ao trabalho desenvolvido pela equipe escolar e pela monitora. “Hoje ele entra sorrindo e sai feliz. Isso graças à diretora da escola e à monitora, que fizeram um trabalho excelente. Meu filho é outra criança”, afirmou.
A mãe de Davi ressaltou que não questiona a capacidade de outros profissionais, mas explicou que uma eventual troca exigiria um novo processo de adaptação. “O autista tem uma rotina. Quando ele chegar lá e encontrar outra pessoa, vai voltar o choro e teremos que começar tudo de novo”, enfatizou
Ao encerrar sua participação, ela resumiu a preocupação das famílias de crianças atípicas. “Se esta audiência é para falar da valorização dos monitores, eu estou aqui representando as mães dos autistas para dizer que em time que está ganhando não se mexe”, concluiu.
O que motivou o debate
A principal discussão da audiência girou em torno do Projeto de Lei nº 066/2026, aprovado pela Câmara Municipal, que autoriza a abertura de crédito especial de R$ 15.764.130,85 para viabilizar a contratação de serviços por meio do Instituto de Cooperação Intermunicipal do Médio Paraopeba (ICISMEP).
Para participantes da audiência, a medida poderá abrir espaço para a terceirização de atividades atualmente desempenhadas pelos monitores da rede municipal.
Durante sua exposição, o próprio secretário municipal de Educação, Rodrigo Cunha, comentou que também ouviu essa preocupação de familiares. Segundo ele, o pai de uma criança com autismo nível 3 de suporte manifestou receio de que a substituição da monitora, responsável pelo acompanhamento do filho há mais de um ano, pudesse prejudicar a evolução da criança.
O secretário afirmou que o objetivo da administração é justamente buscar mecanismos que reduzam a rotatividade dos profissionais e fortaleçam sua permanência na rede municipal.





