Início Arquivo OPERAÇÃO INVESTIGA SUPOSTA COMPRA DE VOTOS POR DEPUTADO FEDERAL EUCLYDES PETTERSEN

OPERAÇÃO INVESTIGA SUPOSTA COMPRA DE VOTOS POR DEPUTADO FEDERAL EUCLYDES PETTERSEN

Euclydes Pettersen PSC
Deputado federal Euclydes Pettersen. Foto: Divulgação/Facebook

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) cumpriu, nesta terça-feira (22), 15 mandados de busca e apreensão na chamada Operação Caixa Fantasma, que apura a prática dos crimes de compra de votos e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) nas eleições gerais de 2018. Um dos investigados é o deputado federal eleito Euclydes Marcos Pettersen Neto (PSC), 35, ex-vereador em Valadares.

Um dos locais de busca e apreensão foi a casa do empresário do ramo de combustíveis Hélio Gomes Alves, 67, na Ilha dos Araújos, por volta das 6h30. Hélio Gomes já foi deputado estadual no período 2011/2014 e é um dos empresários que, conforme o MP, teve participação direta na campanha de Euclydes Pettersen.

O outro é o também ex-deputado estadual Jayro Luiz Lessa, dono do Grupo VDL. Os dois fizeram doações de valores para a campanha que, segundo apurou o MP, não foram computadas na prestação de contas final do candidato eleito.

A ação envolveu o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Promotoria Eleitoral local e contou com a parceria da Polícia Militar.

O deputado federal Euclydes Pettersen, que está em Belo Horizonte, disse para O Olhar que só irá se manifestar após chegar em Valadares e se inteirar dos fatos junto ao seu advogado.

O Olhar não conseguiu contato com os empresários Hélio Gomes e Jayro Lessa.

Corrupção

A investigação teve início a partir da Operação Octopus, deflagrada ano passado, que apurou a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa ocorrida na Prefeitura de Divino das Laranjeiras (MG), no período de 2005 a 2016.

Nas buscas realizadas naquela operação foram identificadas conversas por meio de aplicativo de mensagem whatsapp entre o ex-prefeito daquela cidade, Edson Alves de Souza, conhecido como Bodola, e o candidato eleito Euclydes Pettersen. No diálogo, eles tratavam de questões relacionadas à compra de votos na disputa eleitoral do ano passado.

Durante o trabalho investigativo, constatou-se a suposta prática criminosa, sendo que Euclydes Pettersen usava a estrutura do Hospital Samaritano, em Valadares, para garantir a promessa de tratamento de saúde feita aos eleitores. Conforme apurado pelo MP, ele tinha acesso a nada menos que 21 procedimentos cirúrgicos que eram utilizados para a prática da compra de votos.

Além de usar a estrutura do hospital, o MP apurou também que o candidato eleito tinha vínculos com outros prestadores de serviços na área da saúde com os quais garantia procedimentos médicos gratuitos aos seus eleitores, em especial na área oftalmológica.

A investigação identificou ainda a prática do crime de caixa dois eleitoral, uma vez que o deputado, supostamente, deixou de declarar despesas e receitas realizadas em sua campanha, havendo movimentações financeiras suspeitas em sua conta pessoal que não condizem com os valores recebidos por aqueles com quem fez a transação bancária.

Uma transação em especial chamou a atenção do MP: um depósito de R$ 100 mil realizado por um cabo eleitoral muito próximo ao candidato e que também é alvo da operação.

As buscas e apreensões realizadas na manhã desta sexta-feira têm por objetivo identificar novos crimes eventualmente praticados, assim como reforçar as provas até então já obtidas, finaliza o MP.

 

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