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“Palmares” transforma palco do Atiaia em território de resistência

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"Palmares" transforma palco do Atiaia em território de resistência
O ator angolano Chiluama integra o elenco de "Palmares". Foto: Reprodução

Na noite do próximo dia 6 de junho, às 20 horas, o palco do Teatro Atiaia será tomado pela força da memória, da dor e da resistência negra com a apresentação única do espetáculo “Palmares”. A entrada é gratuita mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, que será destinado às famílias da Associação dos Catadores de Resíduos Sólidos Reciclando Hoje Por Um Futuro Melhor (Ascarf). Os ingressos devem ser retirados na portaria do teatro a partir das 19 horas.

O espetáculo é uma realização da Companhia de Artes Capítulo Um (Cacu) e Anunciação das Artes (Anarte), com recursos da Lei Aldir Blanc e apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo (SMCELT).

Mais do que uma peça teatral, “Palmares” é um grito cênico contra o apagamento histórico. É um chamado ancestral que ecoa dos quilombos, das senzalas e das vozes silenciadas pela escravidão. O espetáculo recria no palco a saga de Palmares – o maior símbolo de resistência negra das Américas – transformando a cena em território de luta, liberdade e sobrevivência.

A montagem é dirigida pelo ator e diretor Walter Silva Andrade Júnior, conhecido artisticamente como Walter de Andrade, que conclui neste ano sua formação em Licenciatura em Teatro pela Universidade de Brasília (UnB). Com linguagem potente e profundamente ritualística, o diretor conduz o público por uma travessia emocional marcada por imagens de sofrimento, fé, coragem e permanência cultural africana no Brasil.

No palco, o espetáculo ganha vida através da interpretação do ator Geraldo de Castro, acompanhado da participação especial de Weber Andrade e de um elenco formado por Nina Shadow, Carolayni Orrana e pelo ator angolano Chiluama, cuja presença reafirma os laços vivos entre África e Brasil dentro da construção poética do espetáculo.

A produção é assinada por Kelen Andrade, que conduz a realização da montagem ao lado de uma equipe comprometida com um teatro de identidade, memória e transformação social.

O texto é fruto de extensa pesquisa teatral e metodologia cênica do diretor Walter de Andrade. “Palmares” entrelaça literatura, documentos históricos, música e oralidade afro-brasileira e se torna uma dramaturgia visceral. O espetáculo reúne fragmentos da obra A Ilha da Chuva e do Vento, da escritora Simone Schwarz-Bart; relatos presentes na coleção Escravidão, do jornalista e escritor Laurentino Gomes; passagens poéticas de Amoras, do artista Emicida; além de depoimentos de pessoas escravizadas e referências do livro O que há de África em Nós, dos historiadores Wlamyra Albuquerque e Walter Fraga. A encenação ainda incorpora a oração de Onisajé e encontra sustentação teórica em Olhares Negros, da pensadora e ativista Bell Hooks.

Com estética marcada pela emoção, pela denúncia e pela celebração da herança africana, “Palmares” promete uma experiência cênica arrebatadora – um espetáculo onde cada corpo em cena carrega cicatrizes históricas, mas também canta a permanência de um povo que nunca deixou de resistir.

Geraldo de Castro explica que a montagem apresenta a trajetória de Zumba, líder do movimento de abolição que enfrenta conflitos sociais, raciais, intolerância religiosa e opressão contra seu povo. Na peça, Geraldo de Castro interpreta Zumba. Ele conta que a proposta do espetáculo é provocar a reflexão sobre a importância da população negra na formação da sociedade brasileira e reforçar a necessidade de manter viva a luta contra o racismo e as desigualdades sociais.

SERVIÇO

Espetáculo: Palmares
Data: 6 de junho
Horário: 20h
Local: Teatro Atiaia
Entrada: gratuita mediante doação de 1 kg de alimento não perecível

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