A denúncia apresentada pelo prefeito Coronel Sandro (PL), durante seu depoimento na Câmara Municipal na última quinta-feira (23), não deverá ser levada em consideração pela comissão parlamentar processante (CPP), que apura supostas irregularidades no contrato do transporte escolar.
O prefeito acusou o empresário Alex Sandro Coelho Diniz de tentar coagir um agente público para obter vantagem econômica no contrato do transporte. Como “prova”, Coronel Sandro exibiu uma folha de papel com os dizeres escritos à mão: “transporte escolar margem 25%”. Uma frase solta, sem assinatura, em um papel sem timbre ou qualquer identificação.
O documento que teria dado origem à “prova” apresentada pelo prefeito foi obtido por O Olhar. Trata-se, na verdade, de uma “Proposta de Otimização de Custos” para o transporte escolar do município, sugerida pela equipe de transição das gestões André Merlo/Coronel Sandro.
Composta por 14 membros, a equipe foi nomeada pelo prefeito eleito em outubro de 2024 e coordenada pelo empresário Alex Diniz. O relatório propõe, no item 7 (“Cenário Recomendado”), uma redução de 25% nos custos do serviço, o que representaria uma economia de R$ 3,5 milhões aos cofres públicos. Veja abaixo:

A proposta apontava ineficiências no modelo à época, como rotas sobrepostas e km rodado improdutivo, e sugeria roteirização otimizada e adequação de frota como caminhos para a economia de recursos.
Medidas judiciais
Logo após as denúncias do chefe do Executivo, Alex Diniz divulgou uma nota de esclarecimento classificando as falas do prefeito como “inverídicas, caluniosas, difamatórias, levianas e irresponsáveis” e afirmou que tomaria medidas judiciais.
A CPP encerrou, na quinta (23), a fase de oitivas com o depoimento do prefeito e agora aguarda as alegações finais da defesa para a elaboração do relatório final, que pode recomendar o arquivamento do caso ou o envio para julgamento em plenário. Se condenado, o prefeito pode ter o mandato cassado.