Depois de comandar Governador Valadares por dois mandatos consecutivos, o ex-prefeito André Merlo (Republicanos) não conseguiu transformar os oito anos à frente do Executivo municipal em votos suficientes para chegar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Candidato a deputado estadual nas eleições deste domingo (4), Merlo teve uma campanha de rua de grande visibilidade na cidade, mas recebeu 11.228 votos em Minas Gerais e ficou distante das vagas conquistadas pelo partido. O resultado chama atenção principalmente pela trajetória do candidato: entre 2017 e 2024, ele esteve à frente da Prefeitura da maior cidade do Leste de Minas.
Na disputa entre os nomes ligados a Governador Valadares, o ex-prefeito também ficou atrás de candidatos que buscavam pela primeira vez uma cadeira na Assembleia. O vereador Jepherson Madureira (Republicanos) alcançou votação superior à de Merlo, recebendo 16.287. A vereadora Gilsa Santos (PT) também terminou à frente do ex-prefeito, com 12.221 votos.
O desempenho nas urnas ocorre menos de dois anos depois do fim da gestão de André Merlo e oferece um dado objetivo sobre sua força eleitoral após deixar a Prefeitura.
Oito anos na Prefeitura
André Merlo governou Valadares por dois mandatos consecutivos. Eleito pela primeira vez em 2016, permaneceu no cargo até dezembro de 2024.
Sua administração atravessou períodos de críticas relacionadas à conservação urbana e à prestação de serviços públicos. Uma das decisões de maior impacto de sua segunda gestão foi a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário à iniciativa privada.
Em janeiro de 2024, ainda na gestão Merlo, a Prefeitura homologou a licitação que deu à Aegea Saneamento e Participações a concessão dos serviços de água e esgoto, com outorga fixa de R$ 385 milhões. O contrato foi assinado em março daquele ano e a Águas de Valadares iniciou a operação em abril.
Desde então, a prestação do serviço tem sido alvo de reclamações de moradores, principalmente relacionadas a interrupções no abastecimento. Fiscalização da ARIS-MG também apontou, em 2025, descumprimento de obrigações pela concessionária relacionadas à comunicação de interrupções no fornecimento de água.
Neste ano, o próprio O Olhar mostrou reclamações de moradores do Figueira do Rio Doce sobre falta d’água e alteração na cor da água após o restabelecimento do serviço. Na ocasião, a concessionária afirmou que os protocolos do bairro representavam menos de 1% dos atendimentos registrados desde o início da concessão e que os dados não indicavam desabastecimento recorrente na região.
Além disso, a destinação dos recursos também passou a ser alvo de questionamentos. Em janeiro de 2025, a gestão seguinte informou que os R$ 385 milhões, somados aos rendimentos, haviam chegado a R$ 408,8 milhões, mas apenas R$ 6,2 milhões permaneciam em conta.
Das urnas de Valadares à disputa estadual
A candidatura a deputado estadual representava a tentativa de André Merlo de ampliar sua trajetória política para além do Executivo municipal. Natural de Governador Valadares, engenheiro e atualmente filiado ao Republicanos, ele disputou uma das 77 cadeiras da Assembleia Legislativa.
A votação obtida, entretanto, deixou o ex-prefeito fora da ALMG e atrás de outros nomes da política valadarense que nunca haviam disputado uma eleição para deputado estadual.
O resultado deste domingo mostra, nas urnas, a resposta dos eleitores valadarenses à candidatura de André Merlo menos de dois anos depois de ele deixar a Prefeitura.
