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Valadarense presa por 213 dias nos EUA denuncia abusos contra migrantes

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Valadarense presa por 213 dias nos EUA denuncia abusos contra imigrantes
A valadarense presa nos EUA relatou sua experiência durante a audiência pública sobre imigração. Foto: O Olhar

A valadarense Vivian de Oliveira, 29, fez um relato duro na audiência pública realizada no último dia 12, na Câmara Municipal de Governador Valadares, sobre a experiência que viveu nos Estados Unidos, onde ficou presa por 213 dias mesmo estando em processo de legalização no país.

A audiência foi proposta pela vereadora Sandra Perpétuo (PT) e teve como tema “Migrar é um direito, não um delito”. Ao falar no plenário, Vivian deu um dos depoimentos mais fortes da reunião, ao descrever o período em que deixou de ser chamada pelo nome e passou a ser identificada apenas por um número dentro do sistema migratório americano.

Segundo ela, a prisão começou em agosto de 2024 e só terminou em 10 de abril de 2025. Vivian afirmou que não havia cometido crime e que, ainda assim, permaneceu detida por oito meses. “Meu nome deixou de existir”, enfatizou, ao dizer que foi reduzida a uma sequência numérica dentro do centro de detenção.

Durante o período em que esteve presa, a valadarense descreveu um ambiente de incerteza e sofrimento. Disse que não havia clareza sobre sua situação jurídica e que passou meses sem respostas sobre quando seria liberada.

No depoimento, Vivian disse que a experiência a fez falar não apenas como brasileira, mas como alguém que viveu na prática o peso do sistema migratório. Para ela, migrar não pode ser tratado como crime. Ao contrário, afirmou que, para muitas pessoas, sair do país de origem é a única alternativa para seguir vivendo.

Confira trechos do vídeo clicando aqui.

Violência física e sofrimento

Vivian também chamou atenção para o que presenciou enquanto esteve presa. Contou que a cela que dividia com mais 59 pessoas reunia mulheres de diferentes nacionalidades e com histórias marcadas por dor, violência e fuga. A grande maioria havia migrado para escapar de agressões, abusos e outras formas de violência. Disse ainda ter visto casos graves dentro do sistema de detenção, incluindo mulheres tendo os ossos quebrados “pela brutalidade dos guardas americanos”.

Outro ponto destacado foi o tratamento dado às detentas. Vivian frisou que frequentemente os guardas acordavam as mulheres no meio da noite, puxavam a coberta e abusavam sexualmente das detentas. As presidiárias também eram privadas do sono, comida e medicamentos, e constantemente eram sedadas à força. Ela também contou que algumas mulheres eram mantidas nuas em celas de vidro, expostas, como forma de contenção ou punição. Ela própria ficou por sete dias nessa situação: nua e exposta a olhares de homens e mulheres.

Ao narrar o que viveu e o que presenciou, a valadarense expôs uma realidade marcada por sofrimento físico, emocional e pela ausência de respostas rápidas para quem tenta regularizar a permanência no exterior.

Ao longo da fala, Vivian insistiu que a imigração não pode ser tratada como delito. Na avaliação dela, o que está em jogo é a vida de pessoas que, em muitos casos, saem de seus países empurradas pela necessidade.

A audiência pública reuniu participantes para discutir justamente esse cenário, com foco nos direitos dos imigrantes e nas consequências humanas das políticas migratórias.

No caso de Vivian, o depoimento teve ainda um peso simbólico para Governador Valadares, cidade historicamente marcada pela migração internacional.

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