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Comissão Processante lê nesta sexta parecer final sobre contrato do transporte escolar em Valadares

Comissão Processante lê nesta sexta relatório final sobre contrato do transporte escolar em Valadares
Comissão processante fará a leitura do parecer final na tarde desta sexta-feira (8), no plenário da Câmara de Vereadores. Foto: O Olhar

O parecer conclusivo da Comissão Processante da Câmara Municipal de Governador Valadares referente à representação por infração político-administrativa apresentada contra o prefeito Coronel Sandro Lúcio da Fonseca (PL) será lido nesta sexta-feira (8), às 14h, no plenário do Legislativo.

A comissão apura possíveis irregularidades relacionadas ao contrato do transporte escolar do município. A reunião marca a fase final dos trabalhos após a realização de oitivas, análise documental e apresentação da defesa.

Conforme prevê o Decreto-Lei nº 201/1967, após a leitura do relatório, o parecer deverá ser encaminhado ao plenário da Câmara Municipal, responsável por decidir sobre o prosseguimento ou arquivamento do processo.

Entenda o caso

A denúncia que deu origem ao processo envolve o Consórcio Interfederativo de Minas Gerais (Ciminas) e a empresa Alphavia Transportes e Máquinas Ltda., responsáveis pela operação do transporte escolar após o encerramento do contrato com a Cooperativa de Transportes do Leste (Cptransleste), que prestava o serviço desde 2015.

A representação foi protocolada na Câmara Municipal pelo motorista Fabiano Márcio da Silva e teve como base denúncias já formalizadas pelo deputado federal Leonardo Monteiro (PT) junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

O documento aponta possíveis irregularidades administrativas relacionadas ao modelo de contratação adotado pela Prefeitura, incluindo supostas falhas no planejamento, formação de preços, utilização de credenciamento em substituição ao processo licitatório e possível aumento desproporcional dos custos do serviço.

Segundo dados apresentados na denúncia, no primeiro semestre de 2025, a Cptransleste recebeu cerca de R$ 6,9 milhões por seis meses de prestação do serviço. Já entre agosto e outubro do mesmo ano, os pagamentos realizados via Ciminas/Alphavia ultrapassaram R$ 7,2 milhões.

A denúncia também menciona a evolução do capital social da Alphavia, que passou de R$ 8 mil, quando foi aberta como MEI em 2022, para R$ 2 milhões em 2025, pouco antes de assumir o serviço em Governador Valadares.

No dia 2 de março, a Câmara Municipal aprovou, por 19 votos favoráveis, o recebimento da representação. Na mesma sessão, foi instaurada a Comissão Processante, formada pelos vereadores Amaral do Povo (Avante), presidente; Lei do Mãe de Deus (PMB), relator; e Jamir Calili (PP), membro.

Defesa tentou barrar processo

Na fase inicial, a defesa prévia do prefeito tentou impedir o prosseguimento da representação. O documento alegou ausência de irregularidades, questionou a admissibilidade da denúncia e sustentou a legalidade dos atos administrativos adotados pela gestão municipal.

A defesa também argumentou que não haveria dolo ou conduta capaz de configurar infração político-administrativa passível de cassação.

O parecer prévio da comissão, porém, concluiu que a denúncia atendia aos requisitos legais e continha elementos mínimos suficientes para continuidade da investigação.

Assinado pelo relator Lei do Mãe de Deus e aprovado pelos demais integrantes, o parecer entendeu que a defesa não apresentou argumentos capazes de invalidar o procedimento.

Com isso, a comissão avançou para a fase de instrução, realizando oitivas do denunciado e de testemunhas, além da coleta de documentos.

TCE apontou indícios de irregularidades

Paralelamente aos trabalhos da comissão, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais também avançou na análise da contratação.

Em decisão monocrática assinada pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão, o TCE-MG chegou a determinar a indisponibilidade de bens do prefeito Coronel Sandro e da secretária Municipal de Educação, Nair Freitas, diante de indícios de irregularidades e possível dano ao erário. Posteriormente, o bloqueio patrimonial não foi mantido pela Corte.

Mesmo assim, a 1ª Câmara do TCE preservou conclusões técnicas que apontam possíveis falhas na contratação do Ciminas, incluindo inconsistências na pesquisa de preços, utilização de credenciamento em substituição ao processo licitatório e indícios de sobrepreço em comparação ao modelo anterior.

Os técnicos também questionaram a cobrança de taxa administrativa de 2,5% pelo consórcio, considerada indevida por ausência de previsão legal.

Oitiva do prefeito teve acusações e denúncia de corrupção

Durante depoimento prestado à Comissão Processante no dia 23 de abril, o prefeito Coronel Sandro negou irregularidades e afirmou ser vítima de perseguição política.

Na ocasião, ele apresentou uma denúncia envolvendo o empresário Alex Coelho Diniz, alegando suposta tentativa de corrupção relacionada ao transporte escolar do município.

Segundo o prefeito, uma proposta teria sido apresentada prevendo a substituição da Cptransleste por outra empresa, com margem de lucro de 25%. Coronel Sandro também apresentou como prova um papel com a frase ‘transporte escolar margem 25%‘, supostamente escrita por Alex Diniz. No entanto, o suposto documento não continha assinatura.

As acusações foram negadas pelo empresário, em nota divulgada nas redes sociais.

Agora, com a conclusão da fase de instrução, a comissão apresenta oficialmente seu parecer final nesta sexta-feira.

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