O vereador Valdivino Lima (Avante) dedicou seu pronunciamento, na reunião ordinária desta terça-feira (2), ao Dia Mundial de Luta contra a Aids – comemorado ontem, dia 1º de dezembro – chamando atenção para o que classificou como um “tema esquecido”, apesar de sua relevância social e epidemiológica.
Segundo o vereador, que é servidor efetivo da rede municipal de saúde e já atuou como coordenador do Crase (Centro de Referência em Atenção Especial à Saúde), a visibilidade da pauta diminuiu ao longo dos anos, mas a infecção segue presente e atinge, sobretudo, adolescentes e jovens.
Durante a fala, Valdivino exibiu imagens com artistas e personalidades que morreram em decorrência da Aids antes dos avanços nos tratamentos. Ele lembrou que presenciou, como profissional de saúde, períodos críticos da doença. “Sou de uma época em que tratei de pacientes isolados por causa da Aids. Hoje, graças à ciência e ao SUS, quase não vemos mortes, mas o número de pessoas vivendo com HIV segue imenso”, afirmou.
O parlamentar defendeu ainda a importância da estrutura pública no controle da doença: “O Brasil é referência mundial em tratamento. Garantimos qualidade de vida aos usuários, e isso precisa ser lembrado”. Ele também atribuiu à eficiência do SUS o Brasil ter atingido, nesta segunda-feira (1º), os critérios para a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV – quando a mãe soropositiva transmite o vírus ao bebê – como problema de saúde pública.
Jovens são os mais infectados
Ainda em seu pronunciamento, Valdivino Lima expressou preocupação com o avanço da infecção entre adolescentes e jovens. Para ele, a ausência de educação sexual nas escolas contribui diretamente para esse cenário. “A politização da educação sexual prejudicou muito. Hoje adolescentes de 15, 16 anos não têm informação adequada e correm risco real de infecção. Precisamos encarar esse tema com seriedade, pois ele é tão importante quanto discutir autismo, câncer de mama ou de próstata”, assegurou.
O vereador também ressaltou iniciativas locais, como a oferta da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), estratégia eficaz de prevenção disponível no SUS. “Valadares foi a sétima cidade de Minas a trazer a PrEP, e ela funciona muito bem aqui”, disse.
Antes de concluir sua fala, Valdivino pediu apoio aos colegas na divulgação de temas de conscientização sobre o assunto, reforçando que a cidade tem cerca de 3 mil pessoas vivendo com HIV. “A Aids não acabou. Precisamos falar sobre isso, divulgar, orientar e prevenir. A responsabilidade é de todos nós”, encerrou.
