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Ypê abre cadastro para troca e reembolso de produtos recolhidos pela Anvisa

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Ypê abre cadastro para troca e reembolso de produtos recolhidos pela Anvisa
Produtos da Ypê que integram lista de itens proibidos pela Anvisa Foto: Divulgação

Desde este sábado (9), consumidores já podem acessar o formulário do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Ypê para solicitar eventual troca ou reembolso de produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes pertencentes aos lotes com final 1 no rótulo. Também estão disponíveis três números para atendimento telefônico: 0800 002 6071 (24 horas); 0800 278 0024 (segunda a domingo, das 9h às 18h); 0800 130 0544 (segunda a sexta, das 9h às 17h).

Na última quinta-feira (7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento dos produtos e orientou que os consumidores interrompam imediatamente o uso. A medida foi adotada após a identificação de falhas em etapas consideradas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia, produção e controle de qualidade da fabricante (veja produtos afetados ao final).

Esses produtos, segundo a Anvisa, estão contaminados com a bactéria Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria de grande resistência a antibióticos.

O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, membro titular da Academia Nacional de Medicina (ANM), explicou à Agência Brasil que a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de “vida livre”, ou seja, diferente de outras bactérias como a Escherichia coli, que vive dentro do intestino, ou o meningococo, que vive nas fossas nasais das pessoas.

Por se tratar de uma bactéria ambiental, esponjas usadas normalmente para lavar louça ou panos de chão podem estar contaminados, já que a bactéria permanece viva na água.

Característica

Segundo ele, a bactéria pode causar uma série de problemas em pessoas imunocomprometidas, desde infecção urinária a infecção respiratória em pessoas que têm problemas de pulmão crônicos, como enfisema, ou em pessoas submetidas a tratamento com cateter na veia.

“Colocam um tubo na traqueia e a bactéria pode entrar por ali. Também pode ocorrer em pessoas que estejam fazendo quimioterapia, o que faz com que haja um comprometimento maior e prévio da saúde da pessoa”, explicou Celso Ferreira.

Pessoas imunocomprometidas

A médica Raiane Cardoso Chamon, professora do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou à Agência Brasil que o maior problema dessa bactéria ocorre quando pessoas imunocomprometidas, que têm o sistema imunológico enfraquecido, entram em contato com ela.

“Ela consegue causar infecções em pessoas que têm o sistema imune debilitado”.

Em pacientes que têm fibrose cística, por exemplo, ela é causa comum de pneumonia. E o tratamento é muito difícil. Advertiu, por outro lado, que ela pode causar também problemas em pessoas saudáveis.

“Dependendo da cepa da Pseudomonas, mesmo a pessoa saudável pode desenvolver uma infecção, como a otite de nadador, em pessoas que nadam em águas recreativas, como piscinas, rios, praias”, ressaltou Chamon.

Para a profissional de saúde, o maior problema é quando a bactéria chega ao ambiente hospitalar, e a porta de entrada, geralmente, são as pessoas que trabalham ali ou entram no hospital, explicou a profissional de saúde.

A médica relatou ainda que, dentro do ambiente hospitalar, onde uma pressão seletiva de antibióticos é muito grande, a bactéria carrega dentro dela uma série de resistências.

Segundo Chamon, isso pode provocar infecções mais graves, associadas a pessoas que usam sonda urinária, têm infecção de corrente sanguínea, estão com pneumonia, pessoas com ventilação mecânica. E o tratamento, por conta da gravidade da infecção, é mais difícil, além da questão de a bactéria aumentar o poder de resistência.

“Esse é o pior cenário de todos”, afirmou.

Contaminação

Como a Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que vive muito bem no solo, na água e em ambientes úmidos, Raiane acredita que a contaminação pode ter ocorrido no momento de produção.

“Não houve um controle microbiológico adequado. Provavelmente, algum reagente na hora de fabricação desses produtos estava contaminado pela Pseudomonas, e acaba que ela consegue se multiplicar nesses ambientes úmidos também”, explicou.

“Na falta do controle microbiológico nas etapas necessárias de fabricação, pode ter tido um crescimento descontrolado de uma cepa específica, que vive melhor em ambientes com detergentes, por exemplo, e a gente acaba detectando, ela, nesses materiais”.

Segundo a médica, existem níveis aceitáveis de contaminação microbiana em todos os produtos. O que não pode é ultrapassar esse nível para não oferecer risco à saúde, principalmente nos indivíduos que estão mais comprometidos em seu sistema imune.

Comunicado

Em comunicado divulgado na quinta-feira (7), a Ypê esclareceu que está colaborando integralmente com a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “e conduzindo todas as ações necessárias com máxima prioridade, responsabilidade e transparência”.

A empresa informou ainda que vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que estão sendo apresentados à Anvisa, “reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.

A indústria se compromete ainda a incorporar de forma imediata eventuais aprimoramentos e recomendações regulatórias da Agência ao seu Plano de Ação e Conformidade Regulatória, desenvolvido em conjunto com a própria Anvisa desde dezembro de 2025.

Produtos afetados

  • Lava-louças Ypê Clear Care
  • Lava-louças com Enzimas Ativas Ypê
  • Lava-louças Ypê
  • Lava-louças Ypê Toque Suave
  • Lava-louças Concentrado Ypê Green
  • Lava-louças Ypê Clear
  • Lava-louças Ypê Green
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava-roupas Líquido Tixan Ypê Green
  • Lava-roupas Líquido Ypê Express
  • Lava-roupas Líquido Ypê Power Act
  • Lava-roupas Líquido Ypê Premium
  • Lava-roupas Tixan Maciez
  • Lava-roupas Tixan Primavera
  • Lava-roupas Tixan Power Act
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de Uso Geral Atol
  • Desinfetante Perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê
  • Além disso, a determinação inclui o lote 25351.732782/2017-47 do Lava-louças Ypê Clear Care.

Passo a Passo para o Consumidor:

  • Identificação (Lote Final 1): Verifique se o produto (detergente, lava-roupas, desinfetante) possui numeração de lote terminada em “1”, geralmente próxima à data de validade.
  • Interrupção de Uso: Pare de utilizar o produto imediatamente para evitar riscos de contaminação microbiológica.
  • Não descarte no ralo: Evite jogar o conteúdo na pia ou no vaso sanitário para prevenir riscos ambientais ou de contato. Guarde a embalagem em local seguro.
  • Contato com a Empresa: Ligue para o SAC 0800 1300 544 ou envie e-mail para sac@ype.ind.br para orientações sobre o recolhimento ou troca.
  • Registro e Troca: A empresa tem obrigação de recolher ou reembolsar. Guarde a embalagem, mesmo sem nota fiscal, pois o número do lote é essencial.
  • Atenção à Saúde: Caso tenha utilizado o produto e apresentado reações (irritação, alergia), procure atendimento médico.

Com informações da Agência Brasil.

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